STILL THE STYLE

O RETORNO DO BANDAGE — e o que ele diz sobre a moda agora.
TENDÊNCIA
7/24/20252 min read


O vestido bandage voltou. E, como sempre acontece na moda, esse retorno não é por acaso — ele vem carregado de significados.
Criado pelo designer francês Hervé Léger nos anos 1990, o modelo feito com tiras elásticas que envolvem o corpo como uma atadura (daí o nome bandage) rapidamente virou símbolo de uma sensualidade direta, moldada, quase escultural. Supermodelos como Cindy Crawford e Claudia Schiffer desfilaram a peça. Fran Fine, da série The Nanny, imortalizou o look colado na televisão. Até a princesa Diana teve momentos marcantes com essa estética mais ousada para seu tempo.
Nos anos 2000 e 2010, o bandage ressurgiu com força nas mãos (e corpos) de celebridades como Kim Kardashian, Britney Spears e Paris Hilton — com uma imagem fortemente associada à exibição do corpo curvilíneo, à cultura das it girls e a um certo ideal estético que dominava a mídia.
Mas por que o bandage está voltando agora?
Esse retorno não acontece isoladamente. Ele surge em um momento muito específico, em que o corpo volta a ocupar o centro das discussões — seja na moda, na cultura ou nas redes sociais. Estamos vivendo o que muitos chamam de “era pós-Ozempic”, em que assuntos como emagrecimento, intervenções estéticas, treinos intensos e controle corporal viraram pautas recorrentes no TikTok, no Instagram e nas rodas de conversa. O corpo voltou a ser vitrine — e o bandage é, literalmente, essa moldura.
Vestir um bandage é expor o corpo de forma escultural, quase arquitetônica. Mas, diferente do passado, hoje há uma camada nova: a intenção. O vestido colado que antes parecia tentar agradar o olhar alheio, agora muitas vezes aparece como uma afirmação pessoal. Ele continua sendo sensual — mas não necessariamente para seduzir. Pode ser também para expressar autonomia, confiança ou até ironia com os próprios padrões.
Não se trata de uma celebração de pressões estéticas ou de velhos padrões de beleza. É, sim, uma constatação: a moda continua refletindo — e moldando — os movimentos da sociedade. E o retorno do bandage fala sobre um desejo coletivo de presença, forma e intensidade.
Além da percepção estética, os dados também confirmam esse movimento. As buscas por “vestido bandage” cresceram mais de 80% no Google Trends Brasil nos últimos meses. No TikTok, a hashtag #bandagedress ultrapassa 120 milhões de visualizações, acompanhada de vídeos que vão do resgate nostálgico dos anos 90 à transformação da estética corporal contemporânea.
O novo bandage aparece com tecidos atualizados, cortes mais refinados, styling minimalista. Ainda é colado, mas parece menos rígido. Ainda é sensual, mas não pede permissão. Ele traduz um novo momento da moda — em que as mulheres estão se permitindo ocupar espaço com intenção. Mais do que um revival de tendência, essa volta é quase uma declaração silenciosa: o corpo é meu, e eu decido o que fazer com ele. Inclusive, colá-lo ao vestido — e ao discurso.









